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Mas temos que
usar o gás. Por que esse uso ainda não pegou no Brasil? Falta uma política para isso e, principalmente, um
arcabouço regulatório. Hoje, já se fala em co-geração, uma coisa que virá
com força. Shoppings centers, indústrias que começam a consumir o
gás. O cara gera energia, ao mesmo tempo gera vapor e com o vapor faz
o ar condicionado para as instalações dele. Isso também vem
na indústria, no comércio, nas residências e até numa competição
com o GLP. Mas acho que não entrou principalmente por causa
desse arcabouço regulatório.
Não existe um problema de preço? Acho que o contrato com a Bolívia necessariamente tem que
ser rediscutido. O preço do gás no Rio de Janeiro está
excessivamente elevado dentro das condições que foram tratadas. Isso
impactou muito o crescimento do mercado na região Sul e até em São
Paulo. Acho que essa questão do preço, da flexibilização do contrato
de gás, tem importância fundamental. Então, se pode dizer que esse contrato
com a Bolívia é um mico? O mico é não vender o gás. Como podemos a curto prazo maximizar o uso do gás? Com o GNV (gás natural veicular), por exemplo. Em São Paulo já
é muito usado. No Estado chega gás natural da Bolívia e da Bacia
de Campos e entra na malha da Comgás. O GNV é o gás do
futuro. Hoje, a Rússia exporta muito gás natural, a própria África
também. Os Estados Unidos também são grandes consumidores e
produtores. E é um combustível com impactos ambientais muito menores
se comparado com o óleo ou o carvão. Muito mais limpo. Na
Argentina, tudo funciona a gás natural. Táxis e os veículos normais. Eles têm
um programa extremamente forte. Hoje, o gás corresponde a 40%
na matriz energética na Argentina.
Diante desse
quadro, dá para dizer que este governo não gerdou nenhuma política
de energia? Lamentavelmente, essa é a realidade. Se há um segmento
extremamente vulnerável com relação ao governo anterior, é o da energia.
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Como é que
o sr. avalia o Avança Brasil? Nada avançou nos grandes projetos
de infra-estrutura? Acho que é preciso ter um projeto de infra-estrutura, e o
Avança Brasil, de certa maneira, personificava isso. Mas os investimentos
não surgiram e não houve as condições necessárias para viabilizar
os investimentos que o Avança Brasil preconizava. Muitos deles
privados, mas que em razão de falhas regulatórias acabaram se
inviabilizando. Muitos dos projetos do Avança Brasil são
absolutamente fundamentais. Mas o Executivo falhou. A obrigação das agências
é regular e fiscalizar.
O sr. concorda com a ministra Dilma que o governo não pode
ficar sem poder nessa área? Acho que isso é natural. O problema é que, por causa desse
vácuo regulatório, as agências começaram a avançar em áreas do
próprio governo. Começaram a legislar em cima de uma série de coisas,
porque não havia regra definida. O Sérgio Motta vendia o projeto das agências como a
salvação nacional. Elas resolveriam tudo, privatizavam, regulavam... O problema é que você tem que ter um órgão no governo
que formule. Tem que ter um Conselho Nacional de Política
Energética ou um Comitê de Planejamento, que tem que ser do governo.
Não tem jeito. O governo FHC esperava que o mercado se regulasse e isso
não aconteceu. No governo Lula se diz que o governo tem que fazer
e que vai fazer. O sr. acredita que nos grandes projetos de
infra-estrutura o governo precisa tomar a frente? Não tenho dúvida nenhuma disso. Teremos um sistema
híbrido. O privado que se instalou continua, e isso é bom porque teremos
estatal e privado num processo competitivo, mas o papel do governo
é fundamental. O governo do PT será de parcerias, vai levar o Estado
a estabelecer parcerias com investidores privados nacionais
ou estrangeiros. Não tenho dúvida. Antes, o que se acreditava era
que, através das agências e tendo um planejamento preestabelecido,
um Avança Brasil, o próprio mercado cuidaria de se colocar. É a idéia
de que o governo tem que ser indutor. Se o governo não induzir nessas áreas fundamentais, tudo desanda. O problema é que
começamos a ter uma situação econômica difícil e aí a economia começou
a prevalecer sobre tudo. |
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