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 Setor Elétrico: A busca de um modelo

 

 

 

Senador Delcídio Amaral

 

 

 

 


O antigo Departamento Nacional de Águas e Energia DNAE foi criado em 1965, com a responsabilidade da regulamentação dos serviços de energia elétrica no País.
Esse modelo vigorou até o início da década de 1990, quando, por intermédio da Lei nº 8.031, foi criado o Programa Nacional de Desestatização PND, levando-se em consideração, à época, a tendência universal de investimentos privados em atividade de infra-estrutura.
Como vamos ter oportunidade de comentar, hoje, essa visão é bastante diferente daquilo que se verificava no início do anos 90.
As Leis 8.987/95 e 9.074/95 são algumas das modificações que buscam inserir a concepção de competitividade no âmbito do setor elétrico e fazer com que os investimentos em obras inacabadas ou paralisadas incluídas no Plano Decenal devessem ser feitos com a participação majoritária do setor privado.
Como decorrência, as autoridades governamentais começaram a estudar um novo modelo institucional, que estava basicamente calcado na desverticalização do setor elétrico nacional.
Isso foi feito por meio do Decreto nº 1.481, de 3 de maio de 1995, do Decreto nº 1.503, de 25 de maio de 1995, e do Decreto nº 1.677, de 18 de outubro de 1995.
Sendo que e é muito importante fazer este registro as empresas integrantes do sistema Eletrobrás foram incluídas no Programa Nacional de Desestatização.
Tal decisão foi tomada em razão dos sérios problemas pelos quais passava o setor elétrico brasileiro.
Para que V. Exªs tenham uma idéia: a partir de 1988, os investimentos para o setor de energia reduziram-se drasticamente, demonstrando a incapacidade do governo federal de impulsionar o processo de expansão do setor elétrico.
Basta lembrar que, em 1987, os investimentos no setor se encontravam próximos a R$ 22 bilhões e, em 1995, esse valor não passava de R$ 6 bilhões.
Como conseqüência desse sub-investimento, que nesse período só conseguiu expandir a capacidade instalada de 46,3 MW em 1988 para 55,4 MW em 1995, e devido a um acelerado crescimento de consumo de energia elétrica, de 190 TWh em 1988 para 250 TWh em 1994, evidentemente a situação do país, no aspecto de suprimento de energia elétrica, começou a preocupar bastante.
O risco de déficit, que em 1999 era estimado em 16%, ficou em 5,4% em função das chuvas do período, porém, em 2000, a expectativa   de  9%  de  risco  de  déficit  chegou  a  18%

 

 

 

 


- portanto, uma situação de extrema preocupação com relação ao suprimento de energia elétrica ao país.
Em 1999, duas diretrizes foram estabelecidas pelo governo federal. A primeira, de desenhar um novo modelo para o setor elétrico, e para isso foram contratadas empresas de consultoria, não só nacionais mas também internacionais.
E gostaria aqui de fazer um registro importante: talvez essas consultorias tivessem muita experiência em alguns modelos energéticos implantados no mundo, mas o nosso modelo energético é especial, pois é calcado principalmente na geração hidrelétrica, sendo sua produção, portanto, aleatória.
A primeira pergunta que cabe ser feita é: se modelos similares que vinham sendo implantados em outros países tiveram sucesso, por que o modelo brasileiro não teve sucesso?
Eu gostaria de fazer algumas ponderações com relação ao assunto. Nenhum país que privatizou seu setor elétrico o fez num espaço curto de tempo.
Vou dar o exemplo da Inglaterra, onde até hoje são feitos ajustes: o modelo inglês levou, para ser implantado, aproximadamente dez anos.
Além disso, há algo fundamental: para que ocorra um passo inicial de transformação: é extremamente importante definir-se um conjunto mínimo de regras claras, transparentes e com substância técnica.
O que aconteceu no Brasil? As empresas de distribuição começaram a ser vendidas em função até da situação crítica dos Estados, sem que tivéssemos trabalhado com base em um marco regulatório consistente.
O resultado disso foi que as empresas estatais brasileiras as do sistema Eletrobrás foram proibidas de investir em geração e transmissão devido ao Programa Nacional de Desestatização, e ficaram paralisadas.
Por falta de um marco regulatório consistente e confiável, os investidores privados não apareceram com o volume de investimentos esperado.
E mais: isso ocorreu em um período em que os índices pluviométricos registrados foram extremamente baixos.
O que aconteceu? Tivemos um racionamento dramático no país, que teve seu início em 2001 e que se encerrou em 2002 encerrou-se não porque grandes mudanças tivessem sido feitas no aspecto estrutural e regulatório, mas porque alguns projetos foram implantados para garantir um mínimo de confiabilidade ao sistema, e choveu bastante.
Apesar de termos saído do racionamento, o quadro continua confuso. A demanda por energia caiu quase 30%. 

 

 

 

 

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