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Senador Delcídio Amaral

 

 

 

 

 

 

 

A revolução do Gás Natural

Discurso pronunciado em 02 de abril de 2003

     


 

 

 

 


Hoje falarei, Srª Presidente, Srªs e Srs. Senadores, a respeito da inserção do gás natural na matriz energética. E contarei um pouco de história.
O combustível que impulsionou a Revolução Industrial em seus primórdios, no século XIX, foi, sem dúvida, o carvão mineral abundante na Europa e nos Estados Unidos.
À medida que a escalada do consumo foi exigindo transportá-lo em distâncias cada vez maiores, o carvão foi perdendo espaço para o petróleo que, por ser um líquido, apresenta menores custos de transporte, seja por navios, ferrovias ou por oleodutos.
A termeletricidade foi se implantando tanto na Europa quanto nos Estados Unidos às custas de carvão. De fato, Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos construíram seu setor elétrico moderno a partir de inúmeras centrais a carvão, energético abundante e com reservas próximas aos centros consumidores. A França, cujas reservas de carvão não se comparam às desses países, optou pela energia nuclear, de cuja tecnologia detém o domínio.
Até o final dos anos oitenta, o carvão representava 60% das fontes de energia elétrica na Alemanha, chegando a 70% na Inglaterra, e a 50% nos Estados Unidos.
Na França, nada menos que 80% já era de origem nuclear, enquanto a Itália optava pelo uso de derivados de petróleo.
Srª Presidente, convém lembrar, que a França conquistou preços competitivos em função da escala e em função de um projeto agressivo de geração termonuclear.
A preocupação com os danos ao meio-ambiente e a busca de um crescimento sustentável evidenciaram o elevado custo social de se promover o desenvolvimento à custa do carvão, do petróleo e da energia nuclear.
Entre as fontes primárias de energia com origem em combustíveis fósseis, o gás natural é o que apresenta menor impacto ambiental:
- em primeiro lugar, pela ausência de compostos de enxofre, presentes tanto no petróleo quanto no carvão, responsáveis pela chuva ácida que danifica as colheitas e provoca doenças respiratórias;
- em segundo lugar, pela menor produção de gás carbônico, o grande responsável pelo efeito estufa;
- em terceiro lugar, sua queima não gera resíduos de óxidos de nitrogênio, com mínimos danos sobre a camada de ozônio.
Assim, o gás natural, com reservas mundiais semelhantes às do petróleo, penetrou com tanta força no mundo inteiro, principalmente na Europa e nos Estados Unidos.
 

 

 

 

 

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