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 A revolução do Gás Natural

 

 

 

Senador Delcídio Amaral

 

 

 

 


Naquele país, hoje as reservas de gás natural têm o mesmo tamanho das reservas de petróleo, e o gás passou a ser a grande solução para os desafios do crescimento sustentável.
Os acordos que viabilizaram a construção de extensos gasodutos trazendo gás da Sibéria e do norte da África, nos anos 80, além do crescimento da produção de gás em plataformas "
off-shore" no Mar do Norte, inundaram a Europa Ocidental desse combustível, permitindo alterar radicalmente a matriz energética daquela região.
De fato, o gás já representa mais de 20% da matriz energética dos países da Comunidade Européia.
Ao mesmo tempo, o avanço da tecnologia das usinas a gás natural em ciclo combinado permitiu alcançar eficiência energética bastante superior a das usinas a carvão, cuja economicidade já vinha caindo face aos elevados custos para atender aos crescentes requisitos ambientais.
Não estou fazendo proselitismo contra as indústrias de carvão até porque, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, temos usinas termelétricas a carvão operando com muita eficiência e com dispositivos importantes com vistas a mitigar os impactos ambientais, principalmente dos dois Estados.
Assim, o mundo assistiu, ao longo dos últimos 15 anos, a uma revolução da área de geração de energia elétrica na Europa, especialmente na Inglaterra, quando mais de 70% das usinas a carvão foram desativadas em favor de usinas a gás.
Toda a expansão da indústria de geração de energia elétrica da Espanha, Itália, Alemanha e Estados Unidos está se dando à custa de termelétricas a gás natural.
Na América Latina, assistimos ao mesmo movimento, especialmente no México, na Colômbia e na Argentina.
Nos Estados Unidos, a demanda é tão elevada que, apesar de possuírem as maiores reservas de gás do mundo, importam significativa quantidade desse energético tanto do Canadá quanto do México.
A participação do gás natural na matriz energética americana já atinge 25%. Ultrapassa a participação do petróleo e ocupa o primeiro lugar entre as fontes primárias de energia daquele país.
O Brasil, cujas reservas de gás natural são modestas frente ao porte do País, optou por desenvolver o setor de gás por meio de uma parceria energética com a Bolívia.
Essa, sim, detém reservas apreciáveis de gás situadas próximo à nossa fronteira. Assim, foi construído o gasoduto Bolívia-Brasil que permite abastecer as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, disponibilizando até
  30 milhões de  metros cúbicos  por
 

 

 

 


dia que, somados à produção das bacias de Campos e Santos, já oferecem 50 milhões de metros cúbicos diários.
Tal cifra já representa metade da produção da Argentina, onde o gás é responsável por 40% da matriz energética.
O que fazer com o gás natural no Brasil?"
Essa é a grande pergunta, Srª Presidente, porque esse é o grande problema a ser resolvido no que se refere ao gás natural.
Em função do contrato boliviano, gastamos hoje U$1 milhão por dia por não consumir o gás natural.
Por isso o Brasil precisa criar um mercado de gás natural não somente para cumprir o seu contrato, como também pelas vantagens aqui relatadas, como nos setores de energia, no setor industrial, comercial, residencial e automobilístico.
É sobre isso que gostaria de citar alguns fatos importantes com relação à utilização do gás natural.
Em primeiro lugar, usá-lo em substituição a combustíveis nobres e de maior valor comercial, como o GLP, seja para uso industrial ou residencial, a gasolina em veículos leves, especialmente táxis e pick-ups, e o diesel em ônibus e caminhões urbanos.
Todos sabem que nas grandes cidades brasileiras como Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro é utilizado o gás natural, com economia para aqueles condutores de veículos que fizeram a conversão, e com impactos ambientais menores.
Atualmente tais usos representam cerca de 10% do gás comercializado e são os que mais crescem, face à expansão das redes de distribuição, os postos. Nos dois últimos anos, essa faixa de uso apresentou crescimento superior a 30%.
Em segundo lugar, substituindo os combustíveis usados na indústria, especialmente o óleo combustível, cuja queima produz elevadas emissões de poluentes na atmosfera das cidades.
Trocar o óleo pelo gás natural. Nesse caso, atenção especial deve ser dada às oportunidades de utilização do gás para geração simultânea de calor industrial e de energia elétrica, a chamada cogeração, com elevado ganho de eficiência.
Um exemplo: cogeração num shopping center, onde se garante o fornecimento de energia para o shopping e se usa o calor para ar-condicionado e outros serviços para geração de vapor, conseguindo com isso economicidade maior àquelas instalações.
A construção de termelétricas a gás tem recebido críticas descabidas, fruto de preconceitos e da mentalidade "barrageira" que se formou dentro dos órgãos do setor elétrico brasileiro.
 

 

 

 

 

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