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É hora da fase II

 

 

 

Senador Delcídio Amaral

 

 

 

 


Como fazer esse salto
?
O grande salto é a infra-estrutura.  É absolutamente necessário.  Acredito muito nisso e acho que, se a gente não olhar com muito cuidado essa questão, vamos entrar num círculo vicioso de câmbio, inflação, juros e não saímos disso.  É preciso trazer os investimentos que vão gerar empregos e promover o desenvolvimento econômico e social.  Se a gente não conseguir viabilizar isso, teremos dias difíceis.  Existe um país a ser construído.

É possível fazer isso com juros elevados e aperto orçamentário?
O governo está muito austero nos gastos para preparar um colchão que permita dar o grande salto. Essa é a expectativa que tenho conversando com as lideranças econômicas do governo. Para esse salto, algumas áreas merecem atenção especialíssima.

Quais?
Insisto na questão da energia. Estamos saindo de um racionamento de 20%, que frustrou o fluxo de caixa das empresas que entraram nessa indústria. O mercado continua retraído, está superofertado e por isso ninguém está investindo.

Qual a receita para reverter esse quadro?
Precisamos estabelecer um marco regulatório claro que dê confiabilidade aos investidores. Temos que separar bem as atribuições das agências reguladoras, elaborar um planejamento para o setor, fazer o acompanhamento das obras que impedirão um novo racionamento e definir com clareza qual o papel do Conselho Nacional de Política Energética, que nos últimos dois anos praticamente só cuidou do apagão.

Essas questões já não deveriam ter sido definidas?
 O governo anterior tinha que ter discutido as políticas macro, como seria a matriz energética brasileira, a composição de cada segmento dessa matriz.  Esse assunto é de extrema importância, com o risco de daqui a pouco afugentar quem acreditou no país.  Hoje, boa parte das usinas leiloadas pela Aneel está paralisada, tanto por causa do marco regulatório quanto por problemas ambientais graves.
 

 

 

 


Mas a privatização não obrigava o investimento privado?
Com certeza. Aí o racionamento e a desvalorização do real fizeram tudo sair dos trilhos. Se você não pautar, a curto, médio e longo prazos, as ações necessárias para reordenar esse setor, pode ter certeza que vamos ter problemas. Uma hidrelétrica leva em média cinco anos para ser colocada em operação. Uma termelétrica a gás natural leva 36 meses, uma termelétrica a carvão leva 18 meses.

A Petrobras deve investir em termelétrica?
Acho que a Petrobras deve desenvolver primeiro o mercado de gás natural, fundamental, porque há um contrato de 30 milhões de metros cúbicos por dia num gasoduto da Bolívia. É um contrato que ou você consome ou vai ter que pagar do mesmo jeito. O gás natural sempre tem que entrar ancorado no grande consumidor. E quem é o grande consumidor? As termelétricas.

O nosso contrato foi ancorado nas termelétricas?
O contrato veio em um momento de déficit energético. Então, ancoramos o gás natural, usando as termelétricas, que vão atender à demanda que o País exige. A partir do momento em que você ancorar o consumo do gás, dentro daquilo que você contratou, no Bolívia-Brasil, o gás começa a entrar em outros segmentos: na indústria, no comércio, nas residências, como já começa a acontecer em São Paulo, por exemplo. Essa era a estratégia, só que aí o programa prioritário de termelétricas começou a patinar, principalmente no que tange à regulação.

Então, o governo anterior deixou de fazer a sua parte?
As regras precisavam ser estabelecidas. Acho que o que aconteceu foi que o governo não considerou o risco que o País corria em razão da falta de energia. Buscou-se a colocação ancorando o gás natural com as térmicas, só que a regulação não veio. As coisas ficaram no meio do caminho, apesar de eu achar que é inevitável que o Brasil tenha que ter uma complementação térmica para utilizar o sistema. Não se pode dizer simplesmente que hidreletricidade resolve tudo. Não resolve. Você vai depender de São Pedro.

 

 

 

 

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