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A Oeste do Centro-Oeste

 

 

 

Senador Delcídio Amaral

 

 

 

 


Todavia, além dos interesses econômicos que nos movem nessa direção e da urgência em aumentarmos a nossa soberania sobre essa extensa fronteira, precisamos investir capitais significativos e firmar acordos para apressar essa unidade.
Precisamos, sobretudo, destinar recursos para a construção de rodovias e ferrovias, para melhorar as condições da malha já existente em todos esses países, para dinamizar os portos, modernizar o sistema de comunicações.
Em resumo, precisamos construir a infra-estrutura que propicie a desejada integração, em uma região praticamente inexplorada.
O seminário "A Faixa da Fronteira e o Desenvolvimento" teve como maior motivação o desejo dos habitantes da fronteira de que as especificidades de sua região sejam reconhecidas pelas autoridades públicas e a vontade de que sejam encontrados meios institucionais adequados ao seu desenvolvimento.
Nesse sentido, o seminário possibilitou uma reflexão sobre pontos que considero da mais alta relevância, quais sejam:

     Os diversos problemas na gestão e atendimento das políticas públicas de saúde, educação, assistência social, segurança pública, sobretudo quando se analisam as características especiais da região;
     A insuficiência e/ou deficiência na infra-estrutura energia, saneamento, telecomunicações e transporte como obstáculo ao desenvolvimento, mormente quando se avaliam as conseqüências destes fatos para o sistema produtivo local;
     A ausência de regimes tributários específicos para esta faixa, desestimulando a instalação de empreendimentos industriais e o conseqüente investimento produtivo para crescimento da atividade econômica da região;
     A inexistência de mecanismos eficazes de financiamento da produção, com juros apropriados, de forma a fomentar as condições essenciais para o desenvolvimento sustentável da fronteira;
     A extrema importância do apoio e participação nos debates sobre políticas integracionistas das entidades representativas dos diversos setores da sociedade civil, verdadeiro motor da integração;
     O papel fundamental de um canal de comunicação entre as instâncias negociadoras e a sociedade civil organizada e, ainda, a importância dos Parlamentos no processo de integração regional;
     A necessidade de se criar uma Agenda, no âmbito do Mercosul e com os demais países fronteiriços para a identificação e equacionamento conjunto de problemas específicos das fronteiras que geram graves conseqüências de natureza econômica e social para a região.

 

 

 


Assim, Senhor Presidente, Senhoras Senadoras e Senhores Senadores, do Seminário resultou um documento intitulado "Carta da Fronteira", no qual estabelecemos compromissos com a finalidade de promover o desenvolvimento das regiões fronteiriças. Neste sentido, o documento elencou, entre outras, as seguintes diretrizes:

- Promover uma efetiva articulação dos diversos entes federativos, a sociedade civil organizada, as instituições de ensino e pesquisa, os empresários e trabalhadores, através das suas entidades representativas, no sentido de manter um espaço permanente de articulação para formular políticas conjuntas visando solução dos problemas em questão;

-  Construir uma agenda básica para integração dos países em nível diplomático para garantir a aplicação de recursos nas áreas de infra-estrutura, saneamento, saúde, meio ambiente, inclusão social, etc., como forma de fortalecer os projetos de desenvolvimento nestes setores;

-  Fomentar a integração regional dos municípios de fronteira, num processo que se efetive como desenvolvimento de projetos para potencializar o desenvolvimento econômico, turístico e social, abordando as questões estratégicas, como a negociação da Área de Livre Comércio das Américas, respeitando o conjunto da região e não apenas os países membros isoladamente;
- Incentivar a harmonização da legislação e das ações promovendo a integração e unificação da política sanitária animal, das políticas urbana e ambiental, inclusive quanto à regulamentação do artigo 20 da CF referente à ocupação da faixa de fronteira;

- Observar as particularidades de hábitos, costumes, características sócio-econômicas e geopolíticas, que tornam as regiões fronteiriças detentoras de peculiaridades geradoras de necessidades específicas, em contraposição aos problemas e questões presentes nas áreas centrais dos diversos países da região, implementando a integração cultural dos povos da fronteira;

- Propor a criação de políticas integradas e descentralizadas no que diz respeito às questões de extrema importância para o bem-estar das populações fronteiriças, como as que tocam a saúde e o trabalho, assim
como para o desenvolvimento econômico sustentável da região, baseadas em metodologias de trabalho que encaminhe as reivindicações apresentadas pela sociedade civil, envolvendo particularmente os seguintes pontos, para compor a Agenda de propósitos:

 

 

 

 

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