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A Oeste do Centro-Oeste

 

 

 

Senador Delcídio Amaral

 

 

 

 


A "Carta da Fronteira" reconheceu a importância do fortalecimento do MERCOSUL e a grande necessidade de abrandamento da linha demarcatória da fronteira. Ou seja, um esforço em direção à maior uniformidade e à maior permeabilidade entre os dois lados da fronteira.
O documento estabeleceu, ainda, a necessidade de criação de uma agenda, no âmbito do Mercosul, para identificação e equacionamento dos problemas específicos da fronteira.
Daí o caráter universal do Seminário e seu reconhecimento da importância do MERCOSUL para o encaminhamento das questões particulares das regiões fronteiriças.
Mas não quero aqui, Senhor Presidente, Senhoras Senadoras e Senhores Senadores, tratar dos diversos problemas e das possibilidades, apenas em tese. Muitas iniciativas já foram tomadas. Necessitamos, porém, promover a integração e a articulação de esforços para que, com maior celeridade, todos esses sonhos se tornem realidade.
O Programa de Desenvolvimento Social da Faixa de Fronteira contribui para a solução de muitos problemas, mas não para a solução definitiva.
Ela dependerá de ações mais abrangentes identificadas a partir de uma avaliação sistemática das carências das diversas regiões envolvidas.
Nós temos, no meu estado de Mato Grosso do Sul, cidades com vocação internacionalista, para onde confluem interesses comuns ao Brasil, à Bolívia, ao Paraguai, ao Uruguai, à Argentina, ao Peru.
Como já disse o presidente Lula, e sua equipe tem repetido, esse "novo Brasil" não comporta mais nacionalismos excludentes e deve ter no ideal integracionista da América do Sul um objetivo a ser perseguido com determinação.
Neste momento, nas barrancas do rio Paraguai, recomeça a ganhar vida o Porto de Ladário e a cidade de Corumbá, a minha cidade, como uma espécie de síntese dessa política de integração regional sul-americana.
Em Corumbá, nós vamos promover a instalação do pólo gás-químico, fazer a recuperação da ferrovia, negociar com a Bolívia a pavimentação da carreteira até Santa Cruz de La Sierra.
Na Bolívia, a conclusão dos 200 Km que ligam Santa Cruz de La Sierra a Porto Soares, e no Paraguai, a ligação entre a cidade brasileira de Porto Murtinho e a paraguaia Filadélfia, já podem se considerar em obras.
O governador de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, colocou como obra prioritária do seu governo a ligação bioceânica. O governo federal adotou essa ligação também como prioritária.

 

 

 


Não tenho dúvidas de que Corumbá irá renascer e retomar o papel que teve no passado, quando foi uma espécie de embrião do Mercosul.Na virada do século, todo o comércio com a Bolívia e o Paraguai e os países da Bacia do Prata passavam necessariamente por Corumbá.
Hoje, as empresas Vale do Rio Doce, Rio Tinto Brasil, Cargill, Odebrecht e Brasil Ferrovias articulam a formação de um consórcio com a americana Genesee & Wyoming Incorporation, controladora da Ferroviária Oriental Boliviana, para a construção de um corredor ferroviário que interligará o Porto de Santos aos portos chilenos de Antofagasta e Arica, atravessando todo o continente sul-americano.
O eixo entre Campo Grande e Corumbá, de 459 Km, coincide com o trajeto do Trem do Pantanal.
Nós, brasileiros, acalentamos o velho sonho de chegar por terra até o Pacífico. Inegavelmente, esse caminho rodoviário é estratégico para o Brasil. A chamada Estrada do Pacífico, a BR-317, é uma rodovia transversal à BR-364, e liga o Acre ao Estado do Amazonas. A estrada internacional tem aproximadamente 2 mil e 100 quilômetros em sua totalidade.
Como alternativa à construção desta rodovia de integração, o Brasil também pode chegar por trem até a costa do Pacífico.
Estou certo de que projetos dessa natureza, que demandam vultosos recursos, estão entre aqueles que podem ser implementados por meio de parcerias entre o poder público e a iniciativa privada, as chamadas PPP (Parcerias Público Privadas).

Tenho defendido com entusiasmo esta idéia de parceria, como meio de assegurar os recursos necessários aos vultosos investimentos em infra-estrutura, adotando-se modelos que garantam aos investidores o esperado retorno do investimento e assegurem ao governo e à população, os desejados benefícios do ponto de vista econômico e social.
Senhor Presidente, Senhoras Senadoras e Senhores Senadores, os governos do Brasil e do Peru estudam a construção de uma ferrovia ligando o porto de Bayóvar a Rondonópolis-MT, com uma extensão de 3.822 km, dos quais 2. 410 Km em território brasileiro e 1.412 Km no Peru. É a chamada ferrovia Rey Brasil-Peru.
Ambos os governos estão interessados no projeto, mas não dispõem de recursos públicos necessários para uma obra de tal porte.
É necessário, portanto, que companhias privadas nacionais ou internacionais estejam dispostas a prover os recursos necessários, na modalidade de financiamento B.O.T. (Build Operate and Transfer).

 

 

 

 

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